No podcast Empreender em Foco, artista e jornalista fala sobre profissionalização, oportunidades no mercado de eventos e os desafios de conquistar o público
Transformar a criação artística em sustento exige mais do que desenvoltura no palco. É preciso organizar a rotina, conhecer o mercado e encontrar novas possibilidades para o próprio trabalho. Essa é uma das reflexões do artista, jornalista e produtor cultural Demetrinho Arruda em entrevista ao podcast Empreender em Foco, apresentado pela Comadre Nhenho, personagem interpretada por Dalila de Várzea Grande.
Realizado pelo Instituto Brasil, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o projeto aborda o empreendedorismo a partir das experiências de seus convidados. Neste episódio, a conversa percorre a trajetória de Demetrinho, da infância em Rosário Oeste à atuação no teatro, na comunicação e na produção de eventos.
Filho de seringueiro, ele conta que acompanhava o pai no trabalho na mata e teve no rádio uma das primeiras referências para imaginar o mundo além de sua realidade. As histórias ouvidas na infância antecederam o contato com o teatro, que aconteceu depois de sua mudança para a capital.
A entrada na atividade artística veio por meio de um curso no Teatro Mosaico. Os primeiros cachês mostraram que o trabalho poderia gerar renda, mas, durante um período, as apresentações foram conciliadas com um emprego administrativo. A mudança ocorreu quando recebeu o convite para gerenciar o escritório da dupla Nico e Lau e trabalhar nas produções.
“Ali, eu classifico como foi o momento que eu passei a viver só da arte”, relata.
Entre as experiências abordadas está a criação do Sombras, trabalho de mímica que, segundo o entrevistado, soma mais de duas décadas. A proposta começou com um convite para uma apresentação em um casamento. A repercussão trouxe novas contratações e motivou a busca por aperfeiçoamento técnico, incluindo um curso em São Paulo.
Ao longo dos anos, o trabalho ganhou espaço em diferentes celebrações e incorporou novas formas de participação dos convidados. Demetrinho cita apresentações em festas de 15 anos, chás de revelação e uma abordagem artística para o tradicional corte da gravata nos casamentos.
Para ele, essa ampliação está ligada à capacidade de compreender as demandas dos contratantes, reconhecer o valor do serviço e adaptar a apresentação a cada situação. A experiência também evidencia como uma oportunidade pontual pode se tornar uma atividade continuada quando há investimento na qualidade da entrega.
A entrevista também abre espaço para os bastidores da profissão. Para conciliar produção cultural, assessoria de imprensa, jornalismo e atuação artística, Demetrinho mantém uma agenda em planilha e estabelece funções distintas para cada trabalho.
Na produção, explica, sua responsabilidade é garantir as condições para a apresentação acontecer. No palco, assume o compromisso de se comunicar com o público. Essa distinção orienta tanto o planejamento quanto a relação com artistas e equipes técnicas.
A formação em jornalismo, segundo ele, contribuiu para ampliar sua compreensão da atividade cultural. Além de observar a apresentação, passou a considerar o contexto em que ela ocorre e sua relação com a comunidade.
Ao falar sobre as mudanças no mercado, Demetrinho destaca o desafio de mobilizar espectadores em uma rotina atravessada pelas redes sociais e pelo acesso imediato ao entretenimento. Na sua avaliação, levar as pessoas ao teatro exige compreender seus hábitos e atualizar as estratégias de divulgação e aproximação.
O artista também propõe uma reflexão sobre a participação do público na valorização da produção regional: acompanhar artistas nas redes, assistir a programas locais e prestigiar espetáculos são formas de contribuir para a circulação desse trabalho.
Conduzida com o humor da Comadre Nhenho, a entrevista aproxima a discussão sobre empreendedorismo da realidade de quem constrói uma carreira na cultura. O percurso de Demetrinho reúne criação, formação, planejamento e adaptação — dimensões que sustentam o trabalho para além do momento da apresentação.
O podcast Empreender em Foco é realizado pelo Instituto Brasil, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). A apresentação é da Comadre Nhenho, personagem interpretada por Dalila de Várzea Grande.



