No podcast Empreender em Foco, Luciana Cervelim conta como deixou o setor de alimentação e fala sobre insegurança, cobrança por serviços e recomeço profissional
Depois de mais de dez anos empreendendo no setor de alimentação, Luciana Cervelim decidiu mudar de profissão. A decisão veio após uma sequência de dificuldades nos negócios: segundo seu relato, foram sete falências. A busca por compreender as próprias escolhas a levou a iniciar um processo de autoconhecimento, estudar práticas terapêuticas e, posteriormente, trabalhar com o atendimento a mulheres.
A trajetória foi tema do podcast Empreender em Foco, apresentado pela Comadre Nhenho, personagem interpretada por Dalila de Várzea Grande. Na entrevista, Luciana abordou os desafios de recomeçar, a dificuldade de estabelecer preços e o medo de não corresponder às expectativas dos clientes.
Terapeuta holística há mais de sete anos, ela afirma que atualmente cursa Psicologia para aprofundar seus conhecimentos sobre comportamento humano. Seus atendimentos são realizados de forma presencial e online, com foco principalmente em mulheres adultas.
Ao recordar os empreendimentos anteriores, Luciana conta que os períodos de crescimento das vendas eram acompanhados de dificuldades para lidar com a rotina e com as responsabilidades da gestão. Na avaliação que faz hoje, havia um conflito entre querer aumentar o faturamento e aceitar as demandas necessárias para sustentar o negócio.
“Eu não sabia liderar”, afirmou.
Segundo a entrevistada, perceber a repetição dessas situações motivou a procura por terapia e por cursos. O interesse inicial era pessoal. A mudança de profissão começou a tomar forma quando passou a ajudar amigas, que indicaram seu trabalho a outras pessoas.
A procura trouxe uma questão que ela ainda não havia enfrentado naquela atividade: quanto cobrar pelo serviço.
“Eu não tinha conhecimento nenhum de como era o valor de sessão”, contou.
Luciana relata que, no início, tinha receio de cobrar e não oferecer à pessoa atendida uma experiência semelhante à sua. A insegurança acompanhou a passagem dos encontros gratuitos para uma atividade remunerada.
Na sua avaliação, o medo de desagradar pode interferir na maneira como uma profissional apresenta seu trabalho e estabelece preços. A discussão sobre reconhecer o valor do serviço tornou-se um dos pontos centrais da conversa, que relacionou sua experiência pessoal aos desafios de mulheres que desejam empreender.
A entrevistada também destacou que o atendimento exige tempo e que as expectativas precisam considerar essa dimensão.
“Você não resolve uma vida inteira dentro de duas, três sessões”, disse.
A conciliação entre trabalho, responsabilidades domésticas e vida familiar também apareceu na entrevista. Luciana afirmou perceber, nos atendimentos, mulheres sobrecarregadas e pressionadas por expectativas em diferentes áreas da vida.
Segundo ela, a escuta é o ponto de partida de seu trabalho. A terapeuta também reconheceu que há situações em que a pessoa precisa procurar outros profissionais, incluindo acompanhamento psiquiátrico.
“Eu não sou a salvadora que vou resolver tudo”, afirmou.
Além dos atendimentos, Luciana mantém uma comunidade gratuita voltada a mulheres, na qual compartilha conteúdos e exercícios. O acesso, segundo ela, é orientado pelo Instagram.
Ao encerrar a conversa, a entrevistada destacou que iniciar um empreendimento não significa eliminar todas as dúvidas. Para ela, parte das respostas surge ao longo da experiência.
“Não tem como você empreender 100% sem medo.”
O podcast Empreender em Foco é realizado pelo Instituto Brasil, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).



