Em conversa com Dani Paula, educadora relembra uma trajetória de mais de quatro décadas, fala sobre liderança feminina, novos caminhos profissionais e a importância de transformar conhecimento em impacto social
Assessoria
Em conversa com Dani Paula, educadora relembra uma trajetória de mais de quatro décadas, fala sobre liderança feminina, novos caminhos profissionais e a importância de transformar conhecimento em impacto social
Há trajetórias profissionais que não cabem em uma única definição. A de Cláudia Regina Soares Magnani é uma delas. Professora de Química, empresária, pesquisadora, consultora, escritora, palestrante e atualmente presidente da BPW Várzea Grande, ela construiu ao longo de mais de quatro décadas uma carreira marcada pela educação, pelos recomeços e pela busca constante por conhecimento.
Cláudia foi a convidada de mais um episódio do podcast Negócios de Mato Grosso – Conexões que Geram Desenvolvimento, apresentado por Dani Paula, escritora, produtora cultural, artivista, gestora cultural e social, educadora, filósofa e palestrante. O programa é uma realização do Instituto Brasil, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT).
Mestre em Ensino de Química pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cláudia soma mais de 40 anos de atuação profissional, sendo mais de três décadas dedicadas à educação. Mas tornar-se professora não estava exatamente nos planos quando iniciou sua formação.
Antes da sala de aula, veio o empreendedorismo. Durante cerca de oito anos, ela esteve envolvida em negócios de diferentes segmentos em Cáceres, experiência que antecedeu uma mudança profunda em sua vida pessoal e profissional. Foi nesse período de transição que a educação entrou em cena e, aos poucos, deixou de ser apenas uma alternativa de trabalho para se transformar em uma das partes mais importantes de sua história.
A convivência com os estudantes também mudou sua maneira de olhar para o próprio ofício. Cláudia conta que nunca enxergou a Química apenas como um conjunto de fórmulas, elementos e reações. A disciplina servia muitas vezes como ponto de partida para conversas sobre energia, comportamento, escolhas e autoconhecimento.
A relação com os adolescentes, diz ela, sempre foi uma troca. A cada nova turma, novas formas de enxergar o mundo.
“Cada ano vêm turmas diferentes e você aprende muito com eles”, afirmou durante a conversa.
Foi justamente a proximidade com os alunos que despertou o interesse por outras áreas do conhecimento. Diante das mudanças percebidas no ambiente escolar e da necessidade de compreender melhor determinados comportamentos e dificuldades de aprendizagem, Cláudia buscou formação em psicopedagogia, psicanálise e outras áreas ligadas ao desenvolvimento humano.
O movimento não representou um afastamento da educação. Ao contrário. Para ela, era uma maneira de ampliar o repertório e encontrar novas formas de compreender quem estava do outro lado da sala de aula.
Um dos recomeços mais marcantes ocorreu em 2015, depois de 16 anos trabalhando na mesma instituição de ensino. A saída foi recebida inicialmente como uma perda. Cláudia conta que viveu um período de luto até perceber que o encerramento daquele ciclo também poderia abrir espaço para outras possibilidades.
Vieram novos cursos, estudos e experiências profissionais. Ela passou a se aprofundar em práticas integrativas e levou parte desse conhecimento para iniciativas desenvolvidas dentro do ambiente escolar, voltadas ao acolhimento e ao bem-estar de alunos e trabalhadores da educação.
Em uma dessas experiências, segundo Cláudia, ações realizadas ao longo de um ano alcançaram mais de 1,2 mil atendimentos. O projeto envolvia diferentes profissionais e atividades dirigidas tanto aos estudantes quanto aos servidores da unidade escolar.
A experiência acumulada nesse percurso também passou a dialogar com o ambiente corporativo. Durante o podcast, Cláudia contou que tem aprofundado os estudos sobre saúde mental nas empresas e sobre iniciativas que possam ser incorporadas às rotinas de organizações e projetos sociais.
É outro capítulo de uma trajetória na qual diferentes áreas acabam se encontrando.
Hoje, uma parte importante desse trabalho está concentrada na liderança feminina. À frente da BPW Várzea Grande, organização voltada ao desenvolvimento e fortalecimento das mulheres, Cláudia conduz uma rede formada por empresárias, profissionais liberais, lideranças e mulheres que estão dando os primeiros passos no empreendedorismo.
A presidência, curiosamente, também surgiu sem planejamento. Cláudia contou que seu nome foi indicado durante uma reunião da qual nem sequer participou. Aceitou o convite porque enxergou no desafio uma oportunidade de aprender com outras mulheres.
Durante sua gestão, a BPW Várzea Grande ampliou significativamente o número de associadas. O grupo, que reunia entre 18 e 20 integrantes, chegou a ultrapassar a marca de 50 mulheres.
Para Cláudia, crescer, no entanto, não significa apenas aumentar números. Significa criar espaço para participação.
“Todo mundo é importante, todo mundo tem que ter voz”, resumiu.
A entidade mantém diferentes coordenações e desenvolve ações voltadas à formação, ao empreendedorismo e à inclusão produtiva. Entre as iniciativas citadas durante a entrevista está uma parceria com o Sebrae para qualificação das associadas, com conteúdos que passam por autoconhecimento, presença digital, organização financeira e mentorias.
O trabalho também alcança mulheres em situação de vulnerabilidade. Uma das ações mencionadas por Cláudia prevê formação em massoterapia acompanhada de orientação em empreendedorismo, criando a possibilidade de que o aprendizado técnico possa se transformar também em geração de renda.
Ao longo da conversa com Dani Paula, fica evidente que a palavra recomeço acompanha diferentes fases de sua vida. O empreendedorismo veio antes da educação. A educação abriu caminho para novas áreas de estudo. Uma ruptura profissional levou a outras formações. A experiência acumulada ao longo desses caminhos acabou encontrando espaço na liderança de outras mulheres.
No encerramento do episódio, Dani Paula pediu que Cláudia deixasse uma mensagem para quem vive justamente esse momento: mulheres que precisam começar ou recomeçar um projeto, um sonho ou uma nova etapa da vida.
A resposta veio menos em forma de conselho e mais como síntese da própria trajetória.
Cláudia relembrou dificuldades enfrentadas ao longo dos anos e falou sobre a decisão de continuar estudando, fazendo planos e encontrando maneiras de contribuir com outras pessoas. Para ela, nem sempre é preciso realizar algo grandioso para produzir uma mudança real.
“Às vezes essa gota é oceano para alguma pessoa”, disse.
É uma imagem simples, mas que ajuda a explicar boa parte de sua história: seguir em movimento, aprender com o caminho e entender que uma transformação aparentemente pequena pode ter um tamanho muito maior para quem a recebe.
O episódio com Cláudia Regina Soares Magnani integra o podcast Negócios de Mato Grosso – Conexões que Geram Desenvolvimento, apresentado por Dani Paula, escritora, produtora cultural, artivista, gestora cultural e social, educadora, filósofa e palestrante, e realizado pelo Instituto Brasil, com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT). O programa reúne histórias, experiências e iniciativas que ajudam a movimentar o empreendedorismo e o desenvolvimento em Mato Grosso.


